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Drinks - Absinto

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Antes de mais nada, que fique bem claro: beber absinto não vai deixar você mais inteligente ou genial. Mesmo porque, o similar que vem sendo vendido em bares da moda e sites da Internet não é o alucinógeno que tanta paixão criativa despertou no século XIX em gênios como Rimbaud, Van Gogh, Verlaine, Toulouse-Lautrec, Degas, Picasso, Baudelaire, Manet e Oscar Wilde.

O absinto dos dias de hoje conserva a espantosa graduação alcoólica daquela época (entre 60% e 70%!) e também o seu velho e maldito ingrediente ativo, o artemísia absinthum. Porém, atualmente, os europeus só consentem a comercialização de fórmulas que adotem o artemísia na proporção de no máximo 10 mg/litro, quando antigamente a dosagem era até 20 vezes superior. Para quem acha que isso não faz diferença, um estudo recente, realizado na Califórnia, comprovou que o artemísia possui uma substância que libera poderosamente a queima de neurônios, provocando alucinações, crises psicóticas, convulsões e danos letais ao sistema nervoso. Quanto aos surtos de genialidade, infelizmente, estes ainda não foram comprovados.

O absinto surgiu na Suíça, em 1792, pelas mãos do Dr. Pierre Ordinaire, que defendia os poderes vermífugos de um composto que tinha por base a wormwood (”verme de madeira”, em inglês), justamente a planta da qual se extrai o artemísia. O composto encantou o francês Henri-Louis Pernod (o mesmo que até hoje empresta seu nome ao pastis Pernord) e ele resolveu abrir duas destilarias. A primeira na Suíça, em 1797, e a segunda na França, em 1805.

E foi a França, realmente, quem adotou a bebida como nenhum outro país. Sobretudo após a Guerra da Argélia, em 1840, quando os soldados franceses abarrotaram de absinto seus cantis, sob o pretexto de combaterem a febre africana. Na volta para casa, a bebida estava consagrada. Em 1912, A. Capus, um cronista da época, saudava a bebida como a preferida do homem francês e citava o seu consumo anual: 221, 8 milhões de litros.

A glória não durou para sempre. Em 1906, impressionados com o caso de Jean Lanfray que supostamente teria assassinado a mulher por se exceder no absinto, os suíços proibiram o seu consumo no país. As autoridades policiais francesas também estavam convictas dos poderes maléficos da bebida, mas só em março de 1915 o absinto seria banido da França e, consequentemente, da maioria dos países vizinhos.

Hoje, o absinto voltou a ser fabricado por suíços, espanhóis, franceses, portugueses, dinamarqueses, entre outros, e largamente vendido em praticamente todo o continente europeu. As exceções ficam por conta de algumas marcas da República Checa, onde determinados fabricantes não estariam respeitando a dosagem consentida do artemísia e fabricando-o com percentuais perigosos, o que naturalmente vem atraindo a cobiça da juventude rebelde da Europa.

A propósito, cinco jovens portugueses, todos na faixa dos 18 anos, mantêm um site na Internet em defesa da liberação da fabricação da bebida tal qual ela era feita no século XIX. O lançamento se deu em 1997, época em que começaram a contabilizar e a difundir online a quantidade de doses que cada membro bebia. Em abril de 1998, quando um deles atingiu a marca de 106 doses, os rapazes misteriosamente abandonaram a manutenção do site.

Há ainda bons sites de curiosidades sobre a bebida e vendas online como o http://www.zoomgraphics.com/absinthe/index.html. Para quem pretende se aventurar e beber uns goles, boa viagem ou boa obra-prima, como preferirem.

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